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23/09/2005 – Gravação do Vídeo com Bruce e Chris.
Mais uma vez em Londres, agora sem tempo para passeios, após algumas reuniões cansativas, eu encontro com Bruce, a pub escolhida era um pouco mais próximo do local onde eu estava, que mais uma vez era a casa do Chris.A hora marcada foi 18:00, pensei que ele provavelmente estivesse cansado e pretendia ir mais cedo para casa, mas na verdade foi diferente, ele queria passar mais tempo então marcou mais cedo. Lá pelas 18:12 eu chego, Bruce chega poucos segundos depois, e paga a primeira rodada, olha para mim e fala "Uma coca cola certo? Você não bebe nada alcoólico" fiquei impressionado dele lembrar desse detalhe.Ele acabara de chegar de uma tour norte americana com muitas coisas para contar, mas mesmo assim não parecia nem um pouco cansado, tenho que aprender isso.Ficamos horas conversando, muito mais tempo que da primeira vez, falamos de shows, Cds, amigos em comum e política.Durante toda nossa conversa ficava com uma duvida martelando minha cabeça, "Como pedirei a ele para fazer o vídeo?" , achava que ele não toparia, ate que ele falou, "você trouxe uma câmera?", ai já era, era tudo ou nada e falei muito sem graça "AHH sim, gostaria de te pedir um favor, mas não se incomode se preferir recusar" então expliquei que queria fazer uma chamada para o show com ele e o Chris e perguntei o que ele achava, ele olhou um pouco para mim e eu gelei, então ele pegou o chapéu de pescador que ele estava usando e colocou na frente do rosto e disse "vamos lá", daí fizemos o vídeo e foi simplesmente inacreditável.
25/09/2005 – No Telão Do Live And Louder.
Estou no Brasil, sem tempo para descanso.Corri para o estúdio de um amigo e editei o vídeo.No dia seguinte enviei ao Paulo por e-mail, que me ligou desacreditado falando coisas do tipo "Caramba, como você conseguiu convence-lo a fazer isso?" Eu não podia responder, pois nem eu sabia, percebi naquele momento que Bruce estava depositando muito mais credibilidade em mim do que eu pensava, e fiquei muito feliz.No dia em que o telão passou no Live and Louder, eu não fui, fiquei nervoso e com medo de como o publico iria reagir, depois vários amigos falaram que foi lindo e que todo mundo curtiu o telão.Arrependi-me de não ter ido e aprendi a não ter medo mais de encarar minhas possibilidades de rejeição.
03/10/2005 – Ensaios Exaustivos
Um pouco mais de um mês para o show, os ensaios estavam correndo de forma realmente frenética, pelo menos era o que eu escutava o pessoal da banda falar.Estávamos prestes a fazer nosso primeiro show em São Paulo, na maior casa de shows da cidade, com as maiores feras do Heavy Metal mundial ao nosso lado, com um DVD na jogada e eu só ensaiei quatro dias.Minha banda não parava, praticamente dois meses seguidos ensaiando todos os dias, e eu só compareci a dois ensaios por mês, mais uma vez tenho que falar, estava ficando muito exausto por fazer tudo sozinho.Por mais que toda equipe da toplink estivesse trabalhando nisso, tudo passava pelas minhas mãos, nem uma mínima decisão era tomada sem meu consentimento ou sem que eu soubesse.Passei tanto tempo ao telefone e viajando entre Rio e São Paulo que simplesmente não ensaiei, isso me preocupava, será que eu congelaria na hora? Será que eu erraria? Será que sem treinar minha voz agüentaria três dias seguidos catando 13 musicas? Era só no que eu pensava. Mas é importante lembrar um outro fator, por só pensar nessas perguntas eu também não conseguia dormir, então alem de tudo foram dois meses inteiros sem dormir, somente tirando pequenos cochilos.Eu deitava as 2:00 da madrugada ficava rolando até as 3:00, então passava um tempo em uma escuridão total e por volta de umas 5:30 meus olhos abriam e eu acordava como uma lâmpada acendendo ao ser ligada.E nada, nada me fazia dormir novamente.Estava começando a me preocupar com a minha saúde para o show e com o fato de que simplesmente eu não sonhava mais, sempre dei muito valor aos sonhos e tudo que eles me revelam, isso me incomodava.
15/10/2005 – Correndo atrás do tempo perdido.
Começo a levar as coisas mais a sério.Acabo de voltar de um ensaio e quase morri para terminar o show, muita estresse e pouca saúde, preciso me cuidar mais, não adianta trabalhar tanto para falhar no palco.Liguei para o Flavio, ele havia comentado semanas antes que gostaria de correr, pegar mais resistência física.Na época não dei muita bola, pois acreditava que seria capaz de resolver os problemas relacionados ao show e ainda fazer uma boa performance, eu estava completamente enganado, e agora tinha que correr atrás do tempo perdido, e foi literalmente o que fizemos. Como eu passava o dia todo rodeado pelos problemas do show, não poderia correr muito cedo, e como ele estava o dia todo ensaiando no estúdio com a banda, combinamos nossas corridas a noite, após as 23: 00.Perfeito, pois eu me cansava e dormia como uma pedra, minha sanidade estava voltando, quanto aos meus sonhos, nem sinal.
27/10/2005 - Desistência repentina.
O grande dia esta chegando, todos os convidados com suas passagens em mãos e suas agendas livres, curiosamente me sinto melhor, durmo melhor e não me sinto nervoso.Dei algumas entrevistas onde as pessoas perguntavam se eu não me sentia com muita responsabilidade por estar no palco com essas feras, depois de simplesmente montar todo o show, a ultima coisa que eu sentiria seria nervosismo por estar no palco com os convidados, sentiria sim uma felicidade tremenda e com certeza uma sensação maravilhosa de trabalho feito.Recebo uma ligação de São Paulo, fico triste novamente, começo a perder minha paz e sentir o estresse que já havia desaparecido, retornar, mas com uma força sem igual.Para um show desse tamanho muitas parcerias devem ser feitas, é simplesmente impossível ser de outra forma, cada pessoa tem sua responsabilidade no evento e você conta com elas 100%,mas quando o coração fala mais alto você faz besteiras e foi o que fiz.Um dos meus parceiros no evento, que estava comigo desde o começo dando sua palavra que cumpriria o acordo, me liga em cima da hora e fala que sairá do trabalho, por questões que não vinham ao caso, eu gostava muito dessa pessoa então fiz tudo com o coração, e quando esse tipo de coisa acontece você se arrepende de não ter um papel assinado na jogada. Minha reação não foi a que provavelmente meu ex-parceiro esperava, falei simplesmente com muita calma "Você Esta brincando né?", seria uma brincadeira de muito mau gosto, mas seria melhor do que ser verdade, quando vi que era muito serio, não gritei, não briguei, não xinguei, desejei que ele acertasse seus problemas e que tudo na vida dele corresse bem, e que ele nunca passasse pelo o que eu passei com a atitude que ele tomou.Perdi minhas ultimas semanas antes do show, que poderiam ter sido usadas para ensaiar e descansar,tentando resolver o problema gigantesco que ele havia criado.Pela primeira vez dês de o inicio de tudo, pensei em voltar atrás, parecia um beco sem saída, sem solução. Sentei com a minha banda e expliquei o que havia acontecido, então peguei o telefone e fiz provavelmente a ligação mais importante da minha vida, e como por um passe de mágica, consegui ajuda. Alguém sério que compraria aquele barulho, que entraria no lugar do parceiro desertor, e assim voltei para o campo e me preparei para jogar, mas o que mais me deixou feliz foi que não precisei voltar atrás com minha idéia.
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